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Como não sou familiarizada com alguns termos técnicos no campo da pesquisa e como esse é um material extenso,
se alguém detectar um erro de tradução e/ou digitação, fique à vontade para corrigir.


1 - Primeira parte do artigo "Blood Libel, um artigo mostrando a fraude que o "Dr" Cameron é.
2- Primeira parte de uma artigo detalhando os seis erros metodológicos cometidos por ele; Erros #1 e #2.
3- Segunda parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #3.
4- Terceira parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #4.
5- Quarta parte dos erros metodológicos; Erro #5.
6- Quinta parte dos erros metodológicos; Erro #6
7 - Segunda parte do artigo "Blood Libel".

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

8 - Crítica ao estudo dos "Obituários Gay"

[http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron_obit.html]

Cameron, Playfair e Wellum (1994) contabilizaram obituários em várias publicações da comunidade gay e alegaram ser capazes de usá-los para calcular a expectativa de vida para homossexuais.

Suas conclusões - que homens e mulheres homossexuais tem uma expectativa de vida menor que homens e mulheres hétero - nos dá um exemplo clássico dos perigos de se usar dados de uma amostra de conveniência para fazer generalizações sobre uma população inteira.

A maioria dos jornais incluem uma seção que contem notificações sobre a morte dos habitantes da cidade. Essas notificações - que podem ser sujeitos a uma pequena taxa para ser publicados - normalmente relacionam o nome, a idade, endereço e sobreviventes do falecido, junto com informações sobre os serviços funerários ou de memorial. Agentes funerários muitas vezes ajudam as pessoas próximas do falecido em redigir tais notificações.

Os jornais de comunidades gays não tem seções para notificações de falecimentos. Quando a epidemia da AIDS começou a ceifar as vidas de tantos homens gays e bissexuais na década de 80, no entanto, muitos jornais gays começaram a publicar obituários. Exceto no casos de figuras proeminentes na comunidade, esses obituários normalmente eram escritos por (ou baseados nas informações de) pessoas próximas ao falecido.

Presumindo que o falecido não era famoso, um obituário aparece em um jornal da comunidade gay apenas se (1)uma pessoa próxima ou amiga comunica ao jornal sobre o falecimento (e, em muitos casos, escreve o obituário) e (2)o editor decide publicar o obituário.

Consequentemente, muitos gays e lésbicas que morrem nunca tem o seu obituário publicado em um desses jornais. Aqui estão apenas alguns exemplos de quem é deixado de fora dos obituários de jornais gays.

- gays e lésbicas que não estavam envolvidos na comunidade gay

- gays e lésbicas que estavam no armário quanto à sua orientação sexual

- gays e lésbicas cujos famíliares ou pessoas próximas não queriam que a sua homossexualidade fosse conhecida

- gays e lébicas cujos famíliares ou pessoas próximas não escreveram um obituário por algum outro motivo (p.ex. estavam muito enlutados)

- gays e lésbicas que morreram sem deixar ninguém para escrevrum obituário para alguma publicação gay (p.ex. aquele cujos familiares e pessoas próximas morreram antes deles).

Uma estimativa exata da expectativa de vida de gays e lésbicas teria que contabilizar pessoas assim. Por restringir a sua análise aos obituários em jornais gays, entretanto, o grupo Cameron sistematicamente os excluiu da amostra.

Inconsistências internas - A inadequação da abordagem do grupo Cameron fica evidente pelas inconsistências internas de seus próprios dados. Compare os dados sobre lésbicas relatados em sue estudo dos obituários, por exemplo, aos dados de sua suposta pesquisa nacional.

Nos seu estudo dos obituários, o grupo Cameron declarou que a expectativa de vida média de lésbicas é similar aos de gays que não tem AIDS ("menos de 50 anos" versus "aproximadamente 45 anos" respectivamente). Mas se isso for verdade, e obituários fossem de fato uma fonte válida para esse tipo de dados, a proporção de obituários de gays masulinos para lésbicas deveria ser a mesma proporção de gays masculinos para lésbicas na população.

A partir dos dados de sua pesquisa, o grupo Cameron alegou saber o número de gays e lébicas na população. Se acreditássemos em seus números, colocaríamos a proporção de gays para lésbicas em mais ou menos 1,6 para 1 (ou aprox. 2,6 para 1 se omitirmos os bissexuais).

Mas a proporção dos obituários de gays para lésbicas no estudo do grupo Cameron era muito diferente - aproximadamente 6 para 1 se AIDS e mortes violentas forem excluídas, 32 para 1 se forem incluídas.

Assim, pelo menos um conjunto de dados tem que estar errado. Ou os dados dos obituários não incluem uma amostra representativa de lésbicas, ou as estimativas populacionas do grupo Cameron, baseadas em seus dados de pesquisa, são inválidas.

Um observador com treinamento em metodologia de pesquisa muito provavelmente concluiria que ambos os conjuntos de dados são completamente falhos.

Esse exemplo está sendo dado como apenas uma ilustração das muitas falhas nos métodos do grupo Cameron.

Conclusão - Obituários em jornais de comunidades gay não fornecem uma amostragem representativa da comunidade. Isso fica evidente pelo fato de apenas 2% dos obtuários do grupo Cameron ser referente a lésbicas. Além disso, jornais comunitários tendem esmagadoramente a noticiar mortes devido à AIDS (apenas 11% dos obituários para gays masculinos não estavam relacionados à AIDS). Também, jornais comunitários tendem a não publicar obituários para pessoas que não estão ativamente envolvidas na comunidade gay local, aqueles que estão no armário, e aqueles cujos familiares e pessoas próximas simplesmente não apresentam um obituário a um jornal local gay.

O estudo dos obituários do grupo Cameron relata muitos números e estatísticas. No entanto, eles são absolutamente inúteis para estimar a expectativa de vida de gays e lésbicas.

Considerações posteriores - Em uma coluna de 1997 no Weekly Standard, o antigo Secretário da Educação William Bennett se referiu às descobertas dos estudo dos obituários de Cameron et al, embora não citasse o Cameron pelo nome. Ele novamente se referiu à conclusão de Cameron a respeito da expectativa de vida truncada em uma aparição no programa "This Week" na ABC.

Em 1998, depois de Andrew Sullivan ter escrito um artigo rebatendo a estatística, Bennett escreveu uma carta ao New Republic (1998, 23 de Fevereiro, pág. 4):"Considerando o que sei agora, acredito que hajam falhas no estudo de Paul Cameron. Não se pode extrapolar de sua metodologia e dizer que a expectativa de vida média dos gays seja de 43 anos."

2 comentários:

  1. Asa, teu blog ta muito legal, mas por favor, tente mudar o template que ta igualzinho o do Julio Severo (irrita.)

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