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Como não sou familiarizada com alguns termos técnicos no campo da pesquisa e como esse é um material extenso,
se alguém detectar um erro de tradução e/ou digitação, fique à vontade para corrigir.


1 - Primeira parte do artigo "Blood Libel, um artigo mostrando a fraude que o "Dr" Cameron é.
2- Primeira parte de uma artigo detalhando os seis erros metodológicos cometidos por ele; Erros #1 e #2.
3- Segunda parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #3.
4- Terceira parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #4.
5- Quarta parte dos erros metodológicos; Erro #5.
6- Quinta parte dos erros metodológicos; Erro #6
7 - Segunda parte do artigo "Blood Libel".

sábado, 9 de janeiro de 2010

4 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 3]

Erro #4 - A validade dos ítens do questionário é duvidosa.

A validade de um estudo depende das pessoas darem ou não respostas verdadeiras e exatas. Quando os participantes dão respostas erradas ou enganosas, eles o fazem por dois motivos principais: (1)eles são incapazes de dar uma resposta exata ou (2) eles não estão dispostos a fazer isso.

No estudo do grupo Cameron, há razões para acreditar que a exatidão dos dados foi afetada por ambos os motivos.

Problemas de validade resultantes da incapacidade do respondente de fornecer uma resposta exata. O questionário auto-administrado do grupo Cameron consistia de 550 ítens e exigia aproximadamente 75 minutos para preeencher. Ele incluía um grande número de perguntas que lidavam com sapectos altamente sensíveis da sexualidade, muitas delas apresentadas de uma forma extremamente complicada. Este procedimento levanta questionamentos sobre a fadiga do respondente e dificuldades das questões.

A partir do momento em que alcançam os estágios posteriores de uma tarefa muito longa (como preencher um questionário por mais de uma hora), os respondentes cansam. Muitas vezes ficam descuidados em suas respostas ou pulam questões totalmente na sua pressa de terminar.

Uma maneira pela qual os pesquisadores avaliam se a fadiga do respondente criou algum problema em um longo questionário é incluindo verificações de coerência: Perguntas de uma seção anterior são repetidas em uma parte posterior (de forma idênctica ou um pouco alterada) de modo que a confiabilidade das respostas possa ser verificada. O grupo Cameron não relatou nenhuma verificação sistemática por coerência interna das respostas do questionário, apesar de em um artigo terem notado discrepâncias entre as respostas a alguns dos itens pesquisados sobre experiências sexuais iniciais.

Outro problema resulta de se usar perguntas altamente complexas. O questionário do grupo Cameron continha perguntas que não apenas se referiam a tópicos delicados mas também exigia que os respondentes lessem um grande número de alternativas e seguissem instruções intrincadas. Em uma seção por exemplo, se esperava que os repondentes lessem uma lista de 36 categorias de pessoas (p.ex. minha professora de primário, meu conselheiro [de escoteiros, de acampamento, etc], depois obsrevar em que idade cada pessoa fez avanços sexuais sérios comigo, e depois observar a idade com que cada pessoa havia experimentado relações sexuais físicas comigo, e depois relatar o número total de pessoas em cada categoria com quem o respondente havia tido relações sexuais.

Outro item perguntava porque o respondente achava que havia desenvolvido a sua orientação sexual, e deu uma lista de 44 razões, incluindo fui seduzido por um adulto homossexual, tive experiências homossexuais com um adulto quando criança, e eu falhei na heterossexualidade.

Muitos respondentes provavelmente consideraram tais tarefas confusas (pela sua extenção e complexidade) ou alienadoras (pelo seu conteúdo). Além disso, é provável que muitos respondentes não leram essas longas listas de alternativas de respostas de forma completa de cuidadosa.

Um problema relacionado é que o questionário usava uma linguagem que provavelmente era difícil para os respondentes entender. Usava termos como defecação, urinar, genitais, ânus, pênis e vagina - palavras que podem não ter sido compreendidas por alguns respondentes, especialmente aqueles com pouca hablidade de leitura e aqueles que só conheciam termos de gíria para esses conceitos. Se esses problemas levaram à minimização ou ao exagero de várias experiências não tem como saber a partir dos dados do grupo Cameron.

Problemas de validade resultantes de distorções intencionais pelos respondentes. mesmo quando os respondentes da pesquisa conseguem entender a pergunta, eles às vezes mentem ou escondem a verdade de propósito. Medidas de auto-relatos são necessariamente baseadas na presunção de que os respondentes farão o melhor para fornecer respostas sinceras. Em alguns casos, no entanto, as pessoas não querem divulgar informações delicadas sobre si mesmas. Isso se torna especialmente provável para perguntas sobre finanças ou comportamentos que são estigmatizados, ilegais, ou potencialmente constrangedores. Em outros casos, eles intencionalmente dão respostas falsas em razão de motivações maldosas ou maliciosas.

Na pesquisa do grupo Cameron a maioria das perguntas focavam questões sexuais altamente pessoais e delicadas. Reconhecendo a dificuldade inerente em obter respostas honestas a perguntas desse tipo, pesquisadores experientes usam várias técnicas para superar a relutância dos respondentes em revelar informações íntimas ou de responder de forma exata. Uma das mais importantes é convencer os respondentes de que a sua privacidade será preservada.

Entretanto, contradições internas no relatório da pesquisa do grupo Cameron não deixa claro se os rspondentes podiam acreditar com algum grau de razoabilidade que suas respostas ream realmente anônimas. Durante os seus relatos, o grupo Cameron descrevia o questionário como sendo anônimo e relataram que era devolvido em um envelope selado. Mas em um artigo de 1989 eles relataram que uma averiguação pós-questionário com respondentes selecionados indicaram que muitos homossexuais não consideravam relações com pessoas em situações como orgias ou banheiros como "parceiros" (Cameron et al., 1989, p. 1175).

Para que esta última afirmativa seja verdadeira, os pesquisadores quais respondentes selecionar para a averiguação pós-questionário a fim de alcançar "muitos homossexuais" que haviam participado de orgias ou sexo em banheiros (havia um número muito pequeno de tais indivíduos para que pudessem simplesmente ter sido detectados através de uma entrevista posterior aleatória).

Como as respostas supostamente anônimas do questionário (por exemplo auto-relatos sobre orientação sexual e atividades sexuais) foram ligadas a respondentes específicos não foi relatado. Aparentemente, no entanto, o anonimato dos respondentes não era absoluto, um fator que provavelmente desencorajou alguns respondentes de divulgar informações íntima sobre si mesmos.

Enquanto que muitos membros da amostra simplesmente se recusaram a participar, outros provavelmente completaram o questionário, mas forneceram respostas falsas, Haviam muitas razões para potenciais respondentes não levarem a pesquisa Caeron a sério. Ela foi apresentada por um estranho que simplesmente pareceu à porta, sem nenhuma afiliação a alguma universidade ou instituto de pesquisa de prestígio que pudesse inspirar confiança. Conforme observado anteriormente, o questionário era excessivamente extenso e continha muitas perguntas sobre assuntos altamente pessoais. Em uma cidade, o jornal local citou um policial que aconselhou um vizinho a não participar, descrevendo a pesquisa como "meio obsceno" (Omaha World Herald, May 23, 1983, p. 1)

Dadas as muitas razões para não levar a pesuisa a sério, pelo menos algumas pesoas provavelmente decidiram se divertir às custas dos pesquisadores.

Suponhamos que alguém propositadamente desse respostas falsas com a intenção maldosa de retratar a si mesmo como um indivíduo que rotineiramente se envolve no que poderia ser considerado comportamento sexual escandaloso. Ele provavelmente teria exagerado o seu nível geral de atividade sexual, relatado participação frequente em múltiplos atos sexuais inconvencionais, e fornecido um histórico seual incomum (p.ex. incesto com vários membros da família).

Se apenas 3 pessoas em cada cidade falsificou as suas respostas dessa forma, então uma parte significativa do número total de relatos desse tipo seria inválida.

A pesquisa do grupo Cameron é altamente vulnerável à falsificação por um pequeno número de pessoas maldosas por três motivos importantes.

1 - Eles basearam muitas de suas conclusões em um subconjunto extremamente pequeno de sua amostra - como as 17 pessoas que disseram que tinham pai/mãe homossexual. Se apenas alguns desses respondentes estivessem mentindo ou falsificando suas respostas, alteraria dramaticamente as descobertas.

2 - O impacto de pessoas maldosas é maximizada em amostras com baixo índice de respostas, como esse do grupo Cameron. Tais amostras tendem a excluir respondentes que dariam respostas honestas e imparciais que contrabalançariam a influência de indivíduos que propositadamente fornecessem informação falsa.

3 - Porque careciam de verificação sistemática da validade das respostas ao seu questionário, e porque os entrevistadores não observavam diretamente os respodentes enquanto preenchiam o questionário, o grupo Cameron não pode determinar quantos dos respondentes deram respostas falsas.

Resumindo, a extensão, formato e conteúdo do questionário - assim como a forma pela qual foi administrada e a aparente falha dos pesquisadores em criar um contexto de credibilidade para extrair informação altamente delicada - levanta sérias dúvidas sobre a sua validade. Nenhuma dessas dúvidas foi abordada nos artigos publicados pelo grupo Cameron.

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