Leia as postagens na ordem

Como as postagens estão em uma determinada ordem, peço que leia as postagens conforme a ordem
em que aparecem na barra lateral. Para facilitar as postagens estão numeradas.


Como não sou familiarizada com alguns termos técnicos no campo da pesquisa e como esse é um material extenso,
se alguém detectar um erro de tradução e/ou digitação, fique à vontade para corrigir.


1 - Primeira parte do artigo "Blood Libel, um artigo mostrando a fraude que o "Dr" Cameron é.
2- Primeira parte de uma artigo detalhando os seis erros metodológicos cometidos por ele; Erros #1 e #2.
3- Segunda parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #3.
4- Terceira parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #4.
5- Quarta parte dos erros metodológicos; Erro #5.
6- Quinta parte dos erros metodológicos; Erro #6
7 - Segunda parte do artigo "Blood Libel".

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

2 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 1]

The Cameron Group's Survey Studies:
A Methodological Critique
http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron_survey.html

A maioria das publicações do grupo acadêmico de Cameron nos últimos 15 anos foram baseadas em um estudo feito em 1983 e 1984.

A enquete principal foi concluída em sete cidades americanas em 1983. Mais tarde foram adicionadas informações de uma amostra feita em 1984 em Dallas, Texas. A maioria dos artigos do grupo de Cameron relatam os dados dessas amostras combinadas.

Uma avaliação crítica das técnicas de amostragem, metodologia de pesquisa e interpretação dos resultados do grupo Cameron, revela pelo menos seis erros graves em seu estudo. A presença de uma só dessas falhas seria o suficiente para lançar sérias dúvidas sobre a legitimidade dos resultados de qualquer estudo. Combinadas, elas tornam os dados praticamente nulos.

Nota: A seguinte crítica usa termos técnicos em vários lugares. Leitores que não estão familiarizados ccm pesquisas podem querer ler brief introduction to sampling terminology [em inglês] antes de seguir adiante.


Erro #1 [Amostragem descaracterizada] Apesar de a caracterizarem assim, a amostra não foi de abrangência nacional.

Apesar do grupo Cameron ter alegado que a sua amostragem era "nacional" e terem usado repetidamente os seus dados para fazer generalizações sobre a população como um todo, o quadro incial de amostragem consistiu de apenas 7 municípios:Bennett (NE), Denver (CO), Los Angeles (CA), Louisville (KY), Omaha (NE), Rochester (NY), and Washington (DC). Dados de uma oitava cidade (Dallas, TX) foram adicionados depois.

Por usarem amostragens apenas desse pequeno conjunto de cidades, eles sistematicamente excluíram todos os adultos americanos residentes em outros lugares quando o estudo foi conduzido. Mesmo que o estudo fosse válido sob outros pontos de vista, generalizações válidas sobre a população de todos os Estados Unidos não poderiam ser tiradas dessa amostra. No máximo as descobertas poderiam ser generalizadas apenas às populações desses 8 municípios.

Erro #2 A taxa de respostas foi inaceitavelmente baixa

Apesar de não ser representativa do total da população estadunidense, uma descrição correta das atitudes e comportamentos sexuais em 8 municípios no início dos anos 80 poderia ter sido útil por si mesma. No entanto, os resultados do grupo Cameron não podem ser considerados representativos nem mesmo de municípios específicos porque a vasta maioria de sua amostragem não completou a enquete.

Os artigos publicados pelo grupo Cameron nunca relataram o seu índice de respostas - ou seja, a proporção da amostragem total que completou o questionário. Em vez disso, eles relataram um índice de tendências, que aparentemente era a porcentagem de questionários completos obtidos daqueles que foram contatados com sucesso e que receberam um formulário da enquete. Eles relataram índices de tendências de 43,5% (que mais tarde corrigiram para 47,5%) para a sua amostra inicial de 7 municípios, e 57,7% para a amostra de Dallas.

(Apesar desses números não serem representativos do real índice de respostas, eles indicam que a maioria das pessoas contatadas nos oito municípios nunca completaram o qusetionário. Aqueles que se recusaram diferiam daqueles que completaram o questionário de forma significativa. Eles tendiam a ser mais velhos e do sexo masculino enquanto que as pessoas que devolveram o questionário respondido eram desproporcionalmente jovens, com boa formação acadêmica e brancos.)

Usar o índice de tendências é enganoso, no entanto, porque ele exclui um grande número de domicílios da amostra original que nunca foram contatados com sucesso - os "não-em-casa". A fim de avaliar quão representativa uma amostra é, os pesquisadores comparam as entrevistas completadas com a amostra inteira, que inlcui todos os domicílios previstos na pesquisa.

Usnado os números do próprio grupo Cameron, o índice de respostas para os 7 municípios originais pode ser computado como o número de enquetes completadas (4.340) dividido pelo número total de domicílios válidos incicialmente selecionados para a amostra-alvo (18.418 - que é a soma do número relatado de pessoas contatadas, incluindo as recusas [9.129], mais os relatados como não estando em casa [9.289]).

Isso produz um índice de respostas de 4.380/18.418 = 23,6% para os 7 municípios pesquisados. Baseado nos seus dados relatados, o índice de respostas para a enquete de Dallas parece ter sido 20,7%. Combinando os dados de Dallas com os dados da pesquisa de 1983, resulta em um índice de respostas geral de 23% nos 8 municípios.

Assim, enquetes completas foram obtidas com sucesso de menos de um quarto dos domicílios da amostra. Os residentes de três de cada quatro domicílios que deviam estar no estudo nunca participaram. Eles ou se recusaram, ou aceitaram um formulário mas nunca o devolveram, ou nunca foram contatados.

Apesar dos pesquisadores não terem um padrão absoluto para o que constitui um índice de respostas aceitável, um índice de 23% é claramente inadequado. Assim, a amostra não pode ser considerada "aleatória". Pelo contrário, os esforços do grupo Cameron acabaram por resultar no que essencialmente era uma amostra de conveniência. Consquentemente, suas conclusões não podem ser genralizadas para nenhum grupo maior. Até que ponto elas descrevem a população total dos EUA - ou mesmo as populações dos oit municípios da amostra - não há como saber.

Em um artigo de 1988, Cameron e Cameron tentaram salvar os seus dados e defender a sua prática de generalizar a partir de uma amostra que, admitodo por eles mesmos, eles haviam incorretamente caracterizado como nacional e aleatório, alegando que eles observaram "concordância geral razoável" entre os dados e padrôes de respostas relatados por outros estudos a algumas de suas perguntas. No entanto, a adequação de uma amostra é julgada primeiro pelo método pelo qual os respondentes foram incluídas nela. Alguns padrôes de respostas nos dados de uma amostra mal feita podem se assemelhar àqueles observados em estudos bem esquematizados com amostras de probabilidade. Essa semelhança, entretanto, não torna uma amostra ruim representativa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário