Leia as postagens na ordem

Como as postagens estão em uma determinada ordem, peço que leia as postagens conforme a ordem
em que aparecem na barra lateral. Para facilitar as postagens estão numeradas.


Como não sou familiarizada com alguns termos técnicos no campo da pesquisa e como esse é um material extenso,
se alguém detectar um erro de tradução e/ou digitação, fique à vontade para corrigir.


1 - Primeira parte do artigo "Blood Libel, um artigo mostrando a fraude que o "Dr" Cameron é.
2- Primeira parte de uma artigo detalhando os seis erros metodológicos cometidos por ele; Erros #1 e #2.
3- Segunda parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #3.
4- Terceira parte do artigo sobre erros metodológicos; Erro #4.
5- Quarta parte dos erros metodológicos; Erro #5.
6- Quinta parte dos erros metodológicos; Erro #6
7 - Segunda parte do artigo "Blood Libel".

sábado, 23 de janeiro de 2010

Dados sobre paternidade/maternidade gay e lésbica [por Gregório Cavalcante]

[Tradução feita por Gregório, na comunidade Homofobia - Já Era - http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=65754&tid=5427357967913519222&na=4&nst=39&nid=65754-5427357967913519222-5428117335273355329
[Copiei tudo do jeito que ele postou]

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1º - Adoção por casais gays não é novidade. Há estudos de mais de 25 anos sobre o tema.
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2º - Ser gay ou lésbica não é doença/distúrbio, ou algo que deva ser evitado por si só.
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3º - Todas as grandes organizações de saúde no mundo são categóricas quando ao assunto. Aliás, a Associação Americana de Psicologia, através de metanalises de vários estudos, publicou o "Lesbian and Gay Parenting". A conclusão foi:
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"Em resumo, não há evidências para sugerir que lésbicas ou homens gays são impróprios para ser pais ou que o desenvolvimento psicossocial das crianças de
lésbicas ou homens gays é comprometido em relação entre filhos de pais heterossexuais. Não há um único estudo encontrado onde crianças de pais gays
possam estar em desvantagem em qualquer aspecto significativo em relação a filhos de pais heterossexuais. Na verdade, as evidências até agora sugerem que os ambientes familiares fornecidos pelos pais gays são tão bons quanto que aqueles fornecidos pelos pais heterossexuais."
Tradução.
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Link do "Lesbian and Gay Parenting": http://www.apa.org/pi/lgbt/resources/parenting-full.pdf

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Identidade de gênero: Nos estudos realizados em crianças entre 5 a 14 anos, os resultados dos testes e da entrevistas realizadas revelaram que o desenvolvimento da identidade de gênero de crianças criadas por lésbicas segueo padrão esperado.
(Green, 1978; Green, Mandel, Hotvedt, Gray, & Smith, 1986; Kirkpatrick, Smith & Roy, 1981).

Expressão de Gênero: Uma série de estudos têm relatado que o papel de gênero do comportamento entre crianças de mães lésbicas caiu dentro dos limites típicos de papéis convencionais. (Brewaeys et al., 1997; Golombok et al., 1983; Gottman, 1990; Green, 1978; Green et al., 1986; Hoeffer, 1981; Kirkpatrick et al., 1981; Kweskin & Cook, 1982; Patterson, 1994a). Por exemplo, Kirkpatrick e seus colegas (1981) não acharam diferenças entre crianças de mães lésbicas e de mães heterossexuais na questão de preferências por brinquedos, atividades, interesses ou escolhas ocupacionais.

Orientação Sexual: Numerosas investigações também estudaram o terceiro componente da identidade sexual, a orientação sexual (Bailey, Bobrow, Wolfe, & Mickach, 1995; Bozett, 1980, 1987, 1989; Gottman, 1990; Golombok & Tasker, 1996; Green, 1978; Huggins, 1989; Miller, 1979; Paul, 1986; Rees, 1979; Tasker & Golombok, 1997). Em todos os estudos, a grande maioria dos filhos de mães lésbicas e pais gays descreveram a si mesmos como heterossexuais. Analisados em conjunto, os dados não indicam taxas elevadas de homossexualidade entre os filhos de pais gays ou lésbicas. Por exemplo, Hugins (1989) entrevistou 36 adolescentes, metade possuía mães lésbicas e a outra metade tinha mães heterossexuais. Nenhuma criança que possuia mãe lésbica se auto-identificou como gay ou lésbica, mas uma criança de uma mãe heterossexual sim; essa diferença não é estatisticamente significante. Em outro estudo, Bailey e seus colegas (1995) estudaram filhos adultos de pais gays e constataram que mais de 90% deles eram heterossexuais.

Tem um documento muito bom (em inglês) feito pela " National Mental Health Association" que contém as informações acima e mais algumas de como falar sobre a homossexualidade com crianças de 3 anos (pré-escola) e adolescentes (até 18 anos).
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http://www.isacs.org/misc_files/What%20Does%20Gay%20Mean%20brochure.pdf

[...]Infelizmente, muitas pessoas não têm conhecimento das três décadas de pesquisa que mostram que filhos de pais gays ou lésbicas são tão mentalmente saudáveis como as crianças com pais heterossexuais, observa Cerbone. Um desses estudos, publicado em Desenvolvimento Infantil (Vol. 75, No. 6, páginas 1,886-1,898), em 2004, compara um grupo de 44 adolescentes com pais do mesmo sexo com um igual número de adolescentes com pais de sexo diferente.
Todos os participantes faziam parte de um grupo nacional, selecionados aleatoriamente a partir de amostra de adolescentes do “National Longitudinal Study of Adolescent Health.
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Houve muito poucas diferenças entre o grupo crianças que tinham sido trazidas por pais de mesmo sexo ou oposto", disse Patterson, que conduziu a pesquisa com os alunos Jennifer Wainright e Stephen Russell, PhD, agora um professor de sociologia na Universidade do Arizona. Patterson foi surpreendido ao encontrar: Crianças de pais gays e lésbicas relataram estreitar os laços com as suas escolas e colegas de turma.” [...]
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Fonte: APA, http://www.apa.org/monitor/dec05/kids.html

Bailey, J. M., Bobrow, D., Wolfe, M., & Mikach, S. (1995). Orientação Sexual do filhos adultos de pais gays. “Developmental Psychology”, 31, 124-129.
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O desenvolvimento sexual de crianças de pais gays e lésbicas é interessante por razões científicas e sociais. O presente estudo é o maior já realizado sobre a orientação sexual do filhos adultos de pais gays.
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A partir de anúncios em publicações gays, 55 homossexuais ou bissexuais masculinos foram recrutados para o estudo, reportando terem ao todo 82 filhos com pelo menos 17 anos de idade. Mais de 90% dos filhos cuja orientação sexual que poderia ser analisada eram heterossexuais. Além disso, filhos de homossexuais e heterossexuais não diferiram sobre potencialmente relevantes variáveis, tais como o tempo que morou com seus pais. Os resultados sugerem que qualquer influência dos pais gays sobre a orientação sexual dos seus filhos não é grande.

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Esse post eu estou copiando de duas autoras, Beatriz Almeida e Helena Moraes.
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[...]Destacamos, ainda, a consciência acerca da discriminação sexual, já percebida pelos garotos e garotas nesta idade. O maior estudo realizado nos EUA (em 2004) com 12.000 adolescentes comparou famílias constituídas por lésbicas e famílias heterossexuais e – pasmem – não evidenciou problemas de auto-estima, baixo rendimento escolar ou casos de depressão em números diferentes daqueles observados nas famílias convencionais.

Um outro estudo, holandês (em 2007), constatou que casais lésbicos eram mais estáveis e que a mãe não-biológica era mais comprometida e afetivamente ligada aos filhos do que pais de casais heterossexuais. E ainda tem enrustidas por aí que casam, constituem famílias, são infelizes e têm maridos ausentes em casa. Uma pena. Por fim, surpreendentemente, uma meta-análise canadense (de 2007), evidenciou que há alguns estudos já realizados com casais lésbicos que evidenciaram que crianças de mães gays têm uma competência social ligeiramente maior do que crianças de famílias heterossexuais. A maioria dos estudos, entretanto, mostrou resultados semelhantes entre os dois núcleos familiares.
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Estudo holandês:
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http://www.sciencedaily.com/releases/2007/09/070928215535.htm

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Quem são as fontes:

APA (America Psychiatric Association):

A Associação Americana de Psiquiatria (APA) é a principal organização de psiquiatras e estudantes de psiquiatria nos Estados Unidos e é a mais influente do mundo. Ela é mais conhecida por produzir o DSM, manual de diagnóstico de desordens mentais utilizado em vários paises. [Wikicopy]
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Essa é uma posição oficial (2002) passada em congresso sobre adoção e criação por casais de mesmo sexo:

"Numerosos estudos nas últimas três décadas demostram de forma consistente que crianças criadas por pais gays ou mães lésbicas exibem o mesmo nível de desenvolvimento emocional, cognitivo, social e sexual como crianças criadas por pais heterossexuais. Esta pesquisa indica que o desenvolvimento ideal para as crianças não se baseia na orientação sexual dos pais, mas em estáveis laços de comprometimento e em adultos capazes de educá-las. A pesquisa mostra também que crianças que têm dois pais, independentemente da orientação sexual deles, se desenvolvem melhor do que crianças com apenas um pai.

A Associação Americana de Psiquiatria historicamente tem apoiado eqüidade, paridade e não-discriminação em matéria de questões jurídicas que afetam a saúde mental. Em 2000, a APA apoiou o reconhecimento legal das uniões homossexuais e seus respectivos direitos, benefícios e responsabilidades. APA também tem apoiado os esforços para educar o público sobre a homossexualidade e as necessidades de saúde mental de lésbicas, gays e suas famílias. A remoção de barreiras legais que afetam negativamente a saúde física e emocional das crianças criadas por pais gays e lésbicas é coerente com os objetivos da APA.

A Associação Americana de Psiquiatria apóia iniciativas que permitam a casais homossexuais a adotar crianças, como todos os direitos legais associados, benefícios e responsabilidades."

APA (American Psychology Association)
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A Associação Americana de Psicologia (abreviadamente APA) é principal organização profissional que representa psicólogos dos Estados Unidos, com proximadamente 150 mil membros. Fundada em 1892, é confundidada com a Associação Americana de Psiquiatria, pois utilizam a mesma sigla.
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As duas APAs tem vários defeitos, mas no sentido "homossexualidade", suas resoluções e trabalhos publicados são excelentes. É irônico que no passado eram essa duas que mais perseguiam gays e lésbicas.
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Eu poderia citar também essas aqui também:
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American Academy of Pediatrics
American Association of School Administrators
American Counseling Association
American Federation of Teachers
American Psychological Association
American School Counselor Association
American School Health Association
Interfaith Alliance Foundation
National Association of School Psychologists
National Association of Secondary School Principals
National Association of SocialWorkers
National Education Association
School SocialWork Association of America

Fontes: Fonte: http://www.psych.org/Departments/EDU/Library/APAOfficialDocumentsandRelated/PositionStatements/200214.aspx

AMA (American Medical Association)

A Associação Americana de Medicina (American Medical Association), fundada em 1847 é incorporada em 1887 é a maior organização de médicos e de estudantes de medicina dos Estados Unidos, representando cerca de 20% dos médicos ativos.

A AMA tem a seguinte resolução, datada em 29 de Abril de 2004:

RESOLVE, que a "American Medical Association" apoia legislações e outros esforços que permitam a adoção de uma criança por parceiros do mesmo sexo, sexo oposto ou parceiro não-casado, que funciona como um segundo pai ou co-pai para a criança.
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Tem esse link de uma apelação à Suprema Corte da Califórnia. Está em inglês, mas é muito boa, tem outros estudos nela. Vale a pena conferir:
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http://www.courtinfo.ca.gov/courts/supreme/highprofile/documents/Amer_Psychological_Assn_Amicus_Curiae_Brief.pdf

AAP

A Academia Americana de Pediatria (AAP) foi fundada em 1930 e agora tem 60.000 pediatras de cuidado primário, pediatras subspecialistas e especialistas em cirurgia pediátrica como membros. A missão da AAP é atingir a saúde física, mental e social ótima e bem-estar para todos os lactentes, crianças, adolescentes e adultos jovens.
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A Academia Americana de Pediatria, declarou em "Pediatrics", a revista mais citada no campo da pediatria: "Mais de 25 anos de pesquisas têm demonstrado que não há relação entre a orientação sexual dos pais e qualquer grau emocional, psicossocial, e ajustamento comportamental de uma criança. Estes dados demonstraram nenhum risco para as crianças como resultado de crescerem em uma família com 1 ou mais pais gays. Conscientes e amáveis, sejam eles homens ou mulheres, heterossexuais ou homossexuais podem ser pais excelentes.

Outra coisa: em Janeiro de 2008, o "European Court of Human Rights" determinou que gays tem o direito de adotar filhos e que sua exclusão por motivo de orientação sexual é uma violação da Convenção Européia de Direitos Humanos.
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Fonte: http://www.ilga-europe.org/europe/news/european_court_of_human_rights_says_lesbian_gay_and_bisexual_individuals_are_eligible_to_adopt_children

A decisão por adoção em conjunto, por enquanto, ainda é facultativa aos estados:

"Os membros são livres para estender o âmbito da presente Convenção aos casais do mesmo sexo que são casados entre si ou que tenham entrado em uma parceria registrada juntos. Eles também são livres para estender o âmbito da presente Convenção a casais de sexos diferentse e casais do mesmo sexo que vivem juntos em um relacionamento estável."
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Fonte: http://conventions.coe.int/Treaty/en/Treaties/html/202.htm
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Sobre o Tribunal:
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"Europen Court of Human Rigths":
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O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos(em francês: Cour européenne des droits de l'homme), em Estrasburgo, é um órgão judicial internacional estabelecida pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos de 1950 para controlar o respeito dos direitos humanos pelos Estados. Todos os 47 estados membros do Conselho da Europa são partes na Convenção. [wikicopy]

"Lesbian and Gay Parenting". Link (novamente):
http://www.apa.org/pi/lgbt/resources/parenting-full.pdf

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Biografia e curiosidades sobre Paul Cameron

http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron_sheet.html

Nasceu em 9 de novembro de 1939, em Pittsburgh (PA).

Se formou na faculdade Los Angeles Pacific College em 1961, fez o mestrado na Universidade do Estado da Califórnia em 1962, e o seu doutorado da Universiada de Colorado em 1966.

Estava afiliado a várias facildades e universidades até 1980; Wayne State University (1967-68), University of Louisville (1970-73), Fuller Graduate School of Psychology [parte do Fuller Theological Seminary] (1976-79), e University of Nebraska (1979-80).

Em seu CV ele se descree como "Pesquisador/Clínico." De acordo com o website de Nebraska Department of HHS Regulation and Licensure, sua licença de psicólogo está inativa desde 1995.

Ele é o presidente da Family Research Institute, PO Box 62640, Colorado Springs, CO, 80962-2640. Telephone: (303) 681-3113. Fax: (303) 681-3427. E-mail: pdcameron@juno.com

Em meados da década de 80, a imprensa gay rotulou Paul Cameron de "a voz anti-gay mais perigosa nos EUA atualmente." Alguns fatos importantes sobre ele:

- Em 2 de dezembro de 1983, a Associação Americana de psicologia (APA) enviou uma carta a Paul Cameron informando-o de que ele havia sido suspenso da associação. No início de 1984, todos os membros d APA receberam uma nota oficial dizendo que "Paul Cameron (Nebrasca) foi suspenso da associação por uma violação do Preâmbulo dos Princípios Éticos de Psicólogos" pelo quadro de Diretores da APA. Cameron postou um argumento elaborado em seu website alegando que ele havia renunciado da APA antes de ser suspenso. Como a maioria das organizações, no entanto, a APA não premite que um membro renuncie quando está sendo investigado. E mesmo que as alegações dos Cameron fossem aceitas como verdadeiras seria extraordinário que a maior organização de psicólogos dos EUA (e outras assosciações profissionais também, conforme observado abaixo) fossem fazer um esforço tão grande para se dissociar de um único indivíduo.

Na sua reunião de associados em 19 de Outubro de 1984, a Associação de Psicologia de Nebrasca adotou uma resolução decalrando que ela "formalmente se dissociava das representações e interpretações da literatura científica oferecida por Dr. Paul Cameron em seus escritos e declarações públicas sobre sexualidade".

Em 1985, a Associação Americana de Sociologia (ASA) adotou uma resolução que afirmava que "Dr, Paul Camron tem persistentemente interpretado e representado errôneamente a pesquisa sociológica sobre a sexualidade, homossexualidade e lesbianismo" e observou que "Dr. Paul Cameron tem feito campanhas repetidas para anular os direitos civis de lésbicas e gays, baseando sua solicitação na interpretação distorcida dessa pesquisa." A resolução formalmente encarregava um comitê da ASA da tarefa de "avaliar criticamente e responder publicamente ao trabalho de Dr. Paul Cameron."

Em sua reunião de Agosto de 1986, a ASA oficialmente aceitou o relatório do comitê a passou a seguinte resolução:

A Associação Americana de Sociologia ofial e publicamente declara que Paul Cameron não é um sociólogo, e condena a suas persistentes detupações de pesquisas sociológicas. Informações sobre esse ato e uma cópia do relatório do Comitê sobre o Status de Homossexuais na Sociologia, "O Caso Paul Cameron," deve ser publicada em Footnotes, e enviado aos representantes de todas as associações regionais e estaduais e à Associação Canadense de Sociologia com o pedido de que eles alertem seus membros às frequentes aparições em palestras e na mídia."
Em Agosto de 1996, a Associação Canadense de Psicologia adotou a seguinte política:

A Associação Canadense de Psicologia toma a posição de que Dr. Paul Cameron tem persistentemente interpretado errôneamente e distorcido as pesquisas sobre a sexualidade, homossexualidade e lesbianismo e assim. ela formalmente se dissocia de suas descrições e interpretações da literatura científica em seus escritos e declarações públicas sobre sexualidade.

A credibilidade de Cameron também foi questionada fora da academia. Em sua opiniões por escrito em Baker v. Wade (1985), o Juiz Buchmeyer da Corte Distrital de Dallas se referiu à "declaração sob juramento de Cameron de que 'homossexuais molestam crianças em uma proporção bem maior que heterossexuais'," e concluiu que "Dr. Paul Cameron...tem ele mesmo feito declarações falsas a essa Corte" e que "Não houve fraude ou declarações falsas exceto pelo próprio Dr. Cameron" (p.536).

[Bibliografia e notas adicionais podem ser encontradas no link original]

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

8 - Crítica ao estudo dos "Obituários Gay"

[http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron_obit.html]

Cameron, Playfair e Wellum (1994) contabilizaram obituários em várias publicações da comunidade gay e alegaram ser capazes de usá-los para calcular a expectativa de vida para homossexuais.

Suas conclusões - que homens e mulheres homossexuais tem uma expectativa de vida menor que homens e mulheres hétero - nos dá um exemplo clássico dos perigos de se usar dados de uma amostra de conveniência para fazer generalizações sobre uma população inteira.

A maioria dos jornais incluem uma seção que contem notificações sobre a morte dos habitantes da cidade. Essas notificações - que podem ser sujeitos a uma pequena taxa para ser publicados - normalmente relacionam o nome, a idade, endereço e sobreviventes do falecido, junto com informações sobre os serviços funerários ou de memorial. Agentes funerários muitas vezes ajudam as pessoas próximas do falecido em redigir tais notificações.

Os jornais de comunidades gays não tem seções para notificações de falecimentos. Quando a epidemia da AIDS começou a ceifar as vidas de tantos homens gays e bissexuais na década de 80, no entanto, muitos jornais gays começaram a publicar obituários. Exceto no casos de figuras proeminentes na comunidade, esses obituários normalmente eram escritos por (ou baseados nas informações de) pessoas próximas ao falecido.

Presumindo que o falecido não era famoso, um obituário aparece em um jornal da comunidade gay apenas se (1)uma pessoa próxima ou amiga comunica ao jornal sobre o falecimento (e, em muitos casos, escreve o obituário) e (2)o editor decide publicar o obituário.

Consequentemente, muitos gays e lésbicas que morrem nunca tem o seu obituário publicado em um desses jornais. Aqui estão apenas alguns exemplos de quem é deixado de fora dos obituários de jornais gays.

- gays e lésbicas que não estavam envolvidos na comunidade gay

- gays e lésbicas que estavam no armário quanto à sua orientação sexual

- gays e lésbicas cujos famíliares ou pessoas próximas não queriam que a sua homossexualidade fosse conhecida

- gays e lébicas cujos famíliares ou pessoas próximas não escreveram um obituário por algum outro motivo (p.ex. estavam muito enlutados)

- gays e lésbicas que morreram sem deixar ninguém para escrevrum obituário para alguma publicação gay (p.ex. aquele cujos familiares e pessoas próximas morreram antes deles).

Uma estimativa exata da expectativa de vida de gays e lésbicas teria que contabilizar pessoas assim. Por restringir a sua análise aos obituários em jornais gays, entretanto, o grupo Cameron sistematicamente os excluiu da amostra.

Inconsistências internas - A inadequação da abordagem do grupo Cameron fica evidente pelas inconsistências internas de seus próprios dados. Compare os dados sobre lésbicas relatados em sue estudo dos obituários, por exemplo, aos dados de sua suposta pesquisa nacional.

Nos seu estudo dos obituários, o grupo Cameron declarou que a expectativa de vida média de lésbicas é similar aos de gays que não tem AIDS ("menos de 50 anos" versus "aproximadamente 45 anos" respectivamente). Mas se isso for verdade, e obituários fossem de fato uma fonte válida para esse tipo de dados, a proporção de obituários de gays masulinos para lésbicas deveria ser a mesma proporção de gays masculinos para lésbicas na população.

A partir dos dados de sua pesquisa, o grupo Cameron alegou saber o número de gays e lébicas na população. Se acreditássemos em seus números, colocaríamos a proporção de gays para lésbicas em mais ou menos 1,6 para 1 (ou aprox. 2,6 para 1 se omitirmos os bissexuais).

Mas a proporção dos obituários de gays para lésbicas no estudo do grupo Cameron era muito diferente - aproximadamente 6 para 1 se AIDS e mortes violentas forem excluídas, 32 para 1 se forem incluídas.

Assim, pelo menos um conjunto de dados tem que estar errado. Ou os dados dos obituários não incluem uma amostra representativa de lésbicas, ou as estimativas populacionas do grupo Cameron, baseadas em seus dados de pesquisa, são inválidas.

Um observador com treinamento em metodologia de pesquisa muito provavelmente concluiria que ambos os conjuntos de dados são completamente falhos.

Esse exemplo está sendo dado como apenas uma ilustração das muitas falhas nos métodos do grupo Cameron.

Conclusão - Obituários em jornais de comunidades gay não fornecem uma amostragem representativa da comunidade. Isso fica evidente pelo fato de apenas 2% dos obtuários do grupo Cameron ser referente a lésbicas. Além disso, jornais comunitários tendem esmagadoramente a noticiar mortes devido à AIDS (apenas 11% dos obituários para gays masculinos não estavam relacionados à AIDS). Também, jornais comunitários tendem a não publicar obituários para pessoas que não estão ativamente envolvidas na comunidade gay local, aqueles que estão no armário, e aqueles cujos familiares e pessoas próximas simplesmente não apresentam um obituário a um jornal local gay.

O estudo dos obituários do grupo Cameron relata muitos números e estatísticas. No entanto, eles são absolutamente inúteis para estimar a expectativa de vida de gays e lésbicas.

Considerações posteriores - Em uma coluna de 1997 no Weekly Standard, o antigo Secretário da Educação William Bennett se referiu às descobertas dos estudo dos obituários de Cameron et al, embora não citasse o Cameron pelo nome. Ele novamente se referiu à conclusão de Cameron a respeito da expectativa de vida truncada em uma aparição no programa "This Week" na ABC.

Em 1998, depois de Andrew Sullivan ter escrito um artigo rebatendo a estatística, Bennett escreveu uma carta ao New Republic (1998, 23 de Fevereiro, pág. 4):"Considerando o que sei agora, acredito que hajam falhas no estudo de Paul Cameron. Não se pode extrapolar de sua metodologia e dizer que a expectativa de vida média dos gays seja de 43 anos."

Porque é importante refutar as mentiras de Paul Cameron

[http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron.html]
O psicólogo Paul Cameron tem usado as suas pesquisas para alegar que os gays são uma ameaça à saúde pública, a ordem social e o bem-estar de crianças. Suas conclusão geralmente contrariam outras pesquisas publicadas, e índices objetivos demonstram que o seu trabalho aparentemente não teve nenhum impacto sobre a pesquisa científica quanto à orientação sexual.

Apesar de Cameron ter sido criticado na imprensa popular, críticas científicas mais amplas às pesquisas de seu grupo não estão disponíveis de forma geral. Os que foram publicados tem sido resumidos ou aparecido em periódicos não muito conhecidos. Essa desatenção pela comunidade científica talvez não seja surpreendente, dada a péssiam qualidade dos dados do grupo Cameron e o baixíssimo prestígio dos periódicos nos quais eles tem publicado. A maioria dos cientistas simplesmente ignoraram os estudos de Cameron.

Por não terem treinamento em métodos de pesquisa e estatística, entretanto, os não-cientistas podem não estar equipados para submeter os resultados do grupo Cameron ao exame rigoroso que estes [treinamentos] proporcionam. Cosequentemente, eles podem erradamente presumir que os artigos do grupo Cameron são basicamente corretos porque incluíam extensas bibliografias, relataram muitas estatísticas, e foram publicados em periódicos acadêmicos. Alguns membros do público leigo podem não compreender que a mera presença de regerências bibliográficas não garante a exatidão ou validade de uma declaração, que estatísticas podem ser geradas a partir de dados errados, e que periódocos acadêmicos variam muito em qualidade e critérios para aceitação de artigos para publicação.

As postagens de 2 a 5 deste blog expõem uma revisão crítica da principal fonte de dados para as publicações do grupo Cameron, baseadas em suas pesquisas de 1983-84 realizadas em oito municípios americanos. Seis erros graves são identificados nas técnicas de amostragem, metodologia de pesquisa e interpretação dos resultados do grupo Cameron. A presença de apenas um desses erros seria o suficiente para lançar sérias dúvidas sobre a legitimidade dos resultados de qualquer estudo. Em combinação, eles tornam os dados praticamente inúteis.

Em outra postagem será abordada a falha metodológica básica no estudo do grupo Cameron referente aos obituários na imprensa gay.

E dados de indicadores objetivos demonstram que os estudos do grupo Cameron não tem tido nenhum impacto observável na pesquisa científica. Seus artigos tem sido publicados em periódico com níveis baixíssimos de prestígio profisional e impacto científico, e foram citados em apenas meia dúzia de outros artigos acadêmicos, a maioria dos quais criticam a sua metodologia.

Também há informação sobre a desaprovação de Paul Cameron por várias associações sprofissionais, junto com links para outros sites relevantes.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

7 - Blood Libel ["Libelo de Sangue"] - Parte 2

Feito? Ótimo. Agora eu não preciso dizer que Paul Cameron já sugeriu tatuagens e campos de concentração para pessoas com AIDS. Não preciso dizer que ele pediu que todos os homossexuais fossem registrados pelo governo. Não preciso dizer que ele já se declarou feliz com a AIDS, porque ela livra o mundo de "pervertidos."

Não preciso dizer que Paul Cameron já considerou o extermínio de todos os gays "uma opção viável."

Paul Cameron já devia ser um capítulo encerrado, apenas mais um pesquisador maluco - embora esse seja um osso especialmente duro de roer. Mas Cameron é difícil de neutralizar. Sua "pesquisa" ressurge continuamente na imprensa conservadora. Ele diz as coisas que as pessoas querem ouvir. Ele diz coisas que torna o ódio justificado.

Espero sinceramente que Cameron lhe pareça ridículo a essas alturas. Seus amigos, entretanto, não parecem ridículos, porque os amigos de Cameron constituem a base de poder do atual partido Republicano. Seus amigos parecem sinceros, e piedosos, e muito, muito íntegros. Ainda essa semana [o artigo é de 16 de abril de 2004], o líder da Operação Resgate, Randall Terry citou algumas das estatísticas acima como se fossem números oficiais. Nos últimos anos, Terry tem combatido a homossexualidade. Ele frequentemente chama isso de "suicídio em prestações" e usou Cameron para apoiar as suas alegações. Essa semana ele até mesmo denunciou o seu próprio filho [http://www.beliefnet.com/Faiths/2004/04/Hes-Bringing-Great-Sadness-To-Our-Home.aspx], que se assumiu gay há pouco, e afirmou que o filho não é mais bem vindo em sua casa. Jornais de grande circulação publicaram os comentários de Randall Terry, completando com as falsas estatísticas de Cameron, mas negligenciaram o fato de que todas essas alegações já foram desacreditadas.

O problema não termina aqui. Patrocinado pela direita religiosa o Family Research Institute [http://www.familyresearchinst.org/] continua dando a Camaron espaço para publicar o seu material "revolucionário original". Desse posto avançado, as alegações de Cameron tem se difundido na direita religiosa. Procure bem a origem das declarações de autoridades respeitadas como William Bennett [http://slate.msn.com/?id=2098], ou dos arquivos da American Family Association, e vai descobrir que Paul Cameron é a fonte primária de tudo que a maioria dos conservadores pensam que sabem sobre homossexualidade. Siga as referências que você encontra em publicações anti-gay, e verá que a vasta maioria são derivativas: No final das contas elas não se referem a pesquisas novas, mas retomam o estudo de 1983 de Paul Cameron.

Fato interessante é que o próprio FRI fez o favor de colocar na Web um artigo do New Republic refutando o próprio Cameron [http://www.familyresearchinst.org/2008/12/revisiting-new-republics-attack-on-cameron/]. É outro link que vale a pena conferir.

Por último, eu guardei um petisco suculento para a minha audiência gay: Cameron também exibe um fascínio quase erótico com tudo que seja homossexual. Estranhamente para um hétero, ele descreve o sexo gay como sendo muito melhor que o sexo hétero, e por isso mais perigoso. Este link - http://www.pflagdetroit.org/Holy_War_OnGays.htm - reproduz um artigo da Rolling Stone de 1999 sobre ele, no qual podemos ler um dos argumentos mais interessantes de Cameron. Ele diz em parte o seguinte:

"Tão poderosa é a tentação dos gays, Cameron acredita, que se a sociedade aprovar os gays, mais e mais heterossexuais serão inexoravelmente atraídos para a homossexualidade.. "Estou convencido de que lésbicas são especialmente sedutoras, " diz Cameron."As pessoas na homossexualidade são incrivelmente evangelizadoras," ele acrescenta, soando ele mesmo muito evangelizador. "É pura sexualidade. É quase como heroína pura. É um grande "barato". Eles estão comprometidos de forma quase religiosa. E eles irão assumir enormes riscos, fazer qualquer coisa." Ele diz que para homens e mulheres casados, sexo gay seria irresistível. "Sexo marital tende a se tornar monótono," ele observa. "Geralmente ele não proporciona o tipo de puro prazer que o sexo homossexual dá." Então, Cameron acredita, dentro de algumas gerações a homossexualidade se tornaria a forma dominante de comportamento.

Me deprime mais do que consigo expressar que as falsidades tendenciosas e odiosas desse indivíduo tem tido mais influência sobre o debate sobre os direitos dos gays do que qualquer coisa que eu jamais teria esperado conseguir. Cameron tem sido bem sucedido em repetir uma mentira até que se tornasse a verdade aceita. Agora, quando as pessoas me vêem com o meu parceiro, tudo que eles realmente vêem são as mentiras de Paul Cameron.

O que um historiador faria disso? As descobertas de Cameron, em especial quanto ao abuso infantil, parece muito com a ressurreição de um antigo libelo de sangue [http://en.wikipedia.org/wiki/Blood_libel]. Em um libelo de sangue , um grupo odiado supostamente pratica em segredo uma série de maldades intimamente relacionadas. Acima de tudo, o grupo odiado molesta crianças para satisfazer seus próprios desejos pervertidos. Eles corrompem, molestam, torturam, matam, e até mesmo devoram as crianças indefesas do grupo dominante.

O grupo odiado é imundo, venenoso, fechado, e criminoso. Eles são uma ameaça aos outros e à própria civilização. Em certa época, os Romanos usaram o libelo de sangue contra os cristãos. Depois os cristãos o usaram contra os judeus - numa época tão recente quanto o século 20. Hoje, o libelo de sangue vai contra o único grupo para o qual tais alegações ainda se consegue alguma atenção.

Como sempre, se diz que o grupo odiado não está bem no controle sobre as suas próprias ações, porque um fervor quase religioso os consome. Os motivos alegados para o libelo de sangue estão sujeitos a mudanças, refletindo a demonologia da época. Em tempos antigos, Jesus - um deus estrangeiro e subversivo - obrigou os cristãos a agir assim. Na Idade Média, o Diabo obrigou os Judeus a agir assim. Hoje, o "barato heroínico" do sexo gay é o culpado. Mas em todos os casos, o grupo odiado atrai filhos de seus pais e comete crimes horríveis contra eles.

A única solução - a solução final - é destruir o grupo em si.

Depois de ter tomado conhecimento do libelo de sangue, é difícil se livrar dele. Ele jaz logo abaixo da superfície da sua mente. Não importa quantos gays "bons", ou judeus "bons", ou cristãos "bons" você conhece. O libelo de sangue é tão chocante que é difícil deixá-lo de lado. Ninguém quer arriscar quando se trata de algo assim, e as nossas dúvidas permitem que os Paul Cameron do mundo continuem o seu trabalho...

Eu não sei como exorcisar esse demônio. Ele está conosco há milhares de anos, e muito provavelmente vai continuar por aí para dançar malignamente no meu túmulo. Mas mesmo o simples ato de reconhecer e lembrar pode ajudar de alguma forma; diagnosticar uma doença geralmente é o primeiro passo para tratá-la. Vale a pena lembrar, então, que não apenas o libelo de sangue foi usado no passado, mas provavelmente foi usado contra o seu gripo também. E agora está sendo usado novamente.

domingo, 10 de janeiro de 2010

6 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 5]

Erro #6 - A tendenciosidade do grupo Cameron foi tornada pública a respondentes em potencial enquanto os dados estavams endo coletados.

Um dos principais deafios de pesquisa social é que os indivíduos que estão sendo estudados podem ficar sabendo das expectativas e objetivos do pesquisador, o que pode alterar o seu comportamento. Por esse motivo, pesquisadores não comunicam suas expectativas ou hipóteses antecipadamente aos participantes da pesquisa. Também não influenciam as respostas dos participantes sugerindo que determinada resposta é mais correta ou desejável que outras.

Em oposição a essa bem fundamentada norma, Paul Cameron publicamente revelou as metas da pesquisa e sua própria agenda política no jornal local de pelo menos uma das cidades pesquisadas (Omaha) enquanto a coleta de dados estava em andamento. Nessa entrevista de primeira página, relatou-se que ele caracterizou a pesquisa como forma de forncer "munição àqueles que querem adotar leis para banir atos homossexuais em todos os EUA" e foi citado que ele disse que os patrocinadores da pesquisa estavam "apostando que (os resultados da pesquisa irão mostrar) que o tipo de padrão sexual sugerido na filosofia Judaico-Cristã era mais válida que a filosofia do Playboy" ("Lincoln man: Enquete ajudará a ir contra gays."Omaha World Herald, May 23, 1983, p. 1).

Se alguma publicidade similar diretamente ligada à pesquisa apareceu ou não em outras cidades-alvo durante a coleta de dados não se sabe. Enquanto a coleta de dados estava em andamento, entretanto, Cameron recebeu atenção nacional por seus apelos para colocar gays em quarentena, o que incluiu comentários públicos em Houston (TX) enquanto a pesquisa estava acontecendo em Dallas.

Tal publicidade é o pior pesadelo para um pesquisador legítimo. Deve-se presunir que isso influenciou a composição da amostra e as respostas daquele que escolheram participar, pelo menos em Omaha (aproximadamente 19% da amostra final). Depois de ler ou ouvir falar sobre a matéria de primeira página no único jornal diário em Omaha, muitos respondentes potenciais provavelmente decidiram não participar, enquanto que outros podem ter dado respostas falsas aos pesquisadores porque perceberam que a pesquisa tinha metas políticas ou religiosas, e não científicas.

Pesquisadores legítimos teriam não apenas evitado a imprensa durante a coleta de dados, como provavelmente teriam mandado parar o estudo se um artigo desses aparecesse em um jornal.

Conclusão - Conforme observado anteriormente, um estudo empírico que manifestasse apenas uma dessas seis fraquezas seria considerado seriamente falho. Em combinação, os múltiplos problemas de metodologia evidentes nas pesquisas do grupo Cameron significam que os resultados não podem sequer ser considerados uma descrição válida de um grupo específico de indivíduos que devolveram o questionário da enquete.

Pelo fato de os dados serem totalmente inexpressivos, não é surpreendente que eles tenham sido praticamente ignorados pela comunidade científica
.

5 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 4]

Erro #5 - Os entrevistadores podem ter sido tendenciosos e podem não ter seguido métodos uniformes.

Organizações profissionais de pesquisa treinam e monitoram cuidadosamente os seus entrevistadores em campo para assegurar que eles sigam estritamente métodos padronizados e passem uma atitude neutra e isenta de julgamentos aos participantes.

A fim de evitar tendenciosidade sistemática devido aos valores e expectativas pessoais dos entrevistadores, os pesquisadores como regra empregam equipes de campo que não conhecem a hipótese do estudo e que são cuidadosamente treinados para passar uma atititude respeitosa e isenta de julgamentos a todos os respondentes. Essas considerações são particularmente importantes em pesquisas que envolvem informações íntimas e delicadas.

O grupo Cameron seguiu procedimentos de controle de qualidade adequadas?

É impossível responder essa pergunta baseado em seus artigos publicados. O grupo Cameron não relatou praticamente nenhuma informação sobre as características, qualificações e treinamento das pessoas que coletaram os seus dados. É razoável presumir que as pesquisas não foram conduzidas por uma organização de pesquisa profissional. Se assim fosse, os relatórios publicados teriam mencionado o fato. Os relatórios do grupo Cameron não deram nenhuma informação sobre como os entrevistadores foram treinados e supervisionados em campo.

Por exemplo, não fica claro se um supervisor aleatoriamente recontatou alguns respondentes para verificar se um entrevistador tinha de fato visitado a sua casa. Essa é uma prática padrão de controle de qualidade para se certificar de que os entrevistadores não relatem falsamente terem contatado todos os domicílios que lhes foram designados, ou que eles mesmos não preencheram vários questionários.

Na ausência de tais informações, não podemos presumir que os entrevistadores do grupo Cameron estavam à altura dos padrões exigidos por pesquisadores profissionais.

Uma preocupação ainda maior é que membros de alto escalão da equipe de pesquisa aparentemente estavam eles próprios diretamente envolvidos na coleta de dados. Essa conclusão é sugerida por um panfleto de 1984, chamando Assassinato, Violência e Homossexualidade, que foi distribuída pelo Instituto para a Investigação Científica da Sexualidade de Paul Cameron [Institute for the Scientific Investigation of Sexuality (ISIS)]. O panfleto relatava os reultados da pesquisa de 1983 do grupo Cameron e contava uma história sobre um homem supostamente homossexual que, em resposta a uma pergunta sobre se já havia matado outra pessoa, forneceu o seu número de telefone e de seguro social e pediu que "o mantivessemos em mente se quisessemos ver alguém morto." "Seus olhos metálicos e seu sorriso congelado quando ele nos assegurou de sua sinceridade não serão facilmente esquecidos."

Essa história é significativa porque, se verdadeira, sugere que o autor do panfleto - talvez o próprio Cameron - esteve diretamente envolvido na coleta de dados para a pesquisa de 1983.

Isso é problemático porque os autores do estudo tinham evidentes expectativas quanto aos resultados. Eles também tinham forte tendenciosidade a respeito de orientação sexual, revelado em suas declarações à mídia indicando antipatia em relação à homossexualidade na época em que as pesquisas foram feitas. Mesmo que tenham feito um esforço sincero para evitar passar essa tendenciosidade aos respondentes, é improvável que tivessem sido bem sucedidos em fazer isso se participaram diretamente da coleta de dados.

sábado, 9 de janeiro de 2010

4 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 3]

Erro #4 - A validade dos ítens do questionário é duvidosa.

A validade de um estudo depende das pessoas darem ou não respostas verdadeiras e exatas. Quando os participantes dão respostas erradas ou enganosas, eles o fazem por dois motivos principais: (1)eles são incapazes de dar uma resposta exata ou (2) eles não estão dispostos a fazer isso.

No estudo do grupo Cameron, há razões para acreditar que a exatidão dos dados foi afetada por ambos os motivos.

Problemas de validade resultantes da incapacidade do respondente de fornecer uma resposta exata. O questionário auto-administrado do grupo Cameron consistia de 550 ítens e exigia aproximadamente 75 minutos para preeencher. Ele incluía um grande número de perguntas que lidavam com sapectos altamente sensíveis da sexualidade, muitas delas apresentadas de uma forma extremamente complicada. Este procedimento levanta questionamentos sobre a fadiga do respondente e dificuldades das questões.

A partir do momento em que alcançam os estágios posteriores de uma tarefa muito longa (como preencher um questionário por mais de uma hora), os respondentes cansam. Muitas vezes ficam descuidados em suas respostas ou pulam questões totalmente na sua pressa de terminar.

Uma maneira pela qual os pesquisadores avaliam se a fadiga do respondente criou algum problema em um longo questionário é incluindo verificações de coerência: Perguntas de uma seção anterior são repetidas em uma parte posterior (de forma idênctica ou um pouco alterada) de modo que a confiabilidade das respostas possa ser verificada. O grupo Cameron não relatou nenhuma verificação sistemática por coerência interna das respostas do questionário, apesar de em um artigo terem notado discrepâncias entre as respostas a alguns dos itens pesquisados sobre experiências sexuais iniciais.

Outro problema resulta de se usar perguntas altamente complexas. O questionário do grupo Cameron continha perguntas que não apenas se referiam a tópicos delicados mas também exigia que os respondentes lessem um grande número de alternativas e seguissem instruções intrincadas. Em uma seção por exemplo, se esperava que os repondentes lessem uma lista de 36 categorias de pessoas (p.ex. minha professora de primário, meu conselheiro [de escoteiros, de acampamento, etc], depois obsrevar em que idade cada pessoa fez avanços sexuais sérios comigo, e depois observar a idade com que cada pessoa havia experimentado relações sexuais físicas comigo, e depois relatar o número total de pessoas em cada categoria com quem o respondente havia tido relações sexuais.

Outro item perguntava porque o respondente achava que havia desenvolvido a sua orientação sexual, e deu uma lista de 44 razões, incluindo fui seduzido por um adulto homossexual, tive experiências homossexuais com um adulto quando criança, e eu falhei na heterossexualidade.

Muitos respondentes provavelmente consideraram tais tarefas confusas (pela sua extenção e complexidade) ou alienadoras (pelo seu conteúdo). Além disso, é provável que muitos respondentes não leram essas longas listas de alternativas de respostas de forma completa de cuidadosa.

Um problema relacionado é que o questionário usava uma linguagem que provavelmente era difícil para os respondentes entender. Usava termos como defecação, urinar, genitais, ânus, pênis e vagina - palavras que podem não ter sido compreendidas por alguns respondentes, especialmente aqueles com pouca hablidade de leitura e aqueles que só conheciam termos de gíria para esses conceitos. Se esses problemas levaram à minimização ou ao exagero de várias experiências não tem como saber a partir dos dados do grupo Cameron.

Problemas de validade resultantes de distorções intencionais pelos respondentes. mesmo quando os respondentes da pesquisa conseguem entender a pergunta, eles às vezes mentem ou escondem a verdade de propósito. Medidas de auto-relatos são necessariamente baseadas na presunção de que os respondentes farão o melhor para fornecer respostas sinceras. Em alguns casos, no entanto, as pessoas não querem divulgar informações delicadas sobre si mesmas. Isso se torna especialmente provável para perguntas sobre finanças ou comportamentos que são estigmatizados, ilegais, ou potencialmente constrangedores. Em outros casos, eles intencionalmente dão respostas falsas em razão de motivações maldosas ou maliciosas.

Na pesquisa do grupo Cameron a maioria das perguntas focavam questões sexuais altamente pessoais e delicadas. Reconhecendo a dificuldade inerente em obter respostas honestas a perguntas desse tipo, pesquisadores experientes usam várias técnicas para superar a relutância dos respondentes em revelar informações íntimas ou de responder de forma exata. Uma das mais importantes é convencer os respondentes de que a sua privacidade será preservada.

Entretanto, contradições internas no relatório da pesquisa do grupo Cameron não deixa claro se os rspondentes podiam acreditar com algum grau de razoabilidade que suas respostas ream realmente anônimas. Durante os seus relatos, o grupo Cameron descrevia o questionário como sendo anônimo e relataram que era devolvido em um envelope selado. Mas em um artigo de 1989 eles relataram que uma averiguação pós-questionário com respondentes selecionados indicaram que muitos homossexuais não consideravam relações com pessoas em situações como orgias ou banheiros como "parceiros" (Cameron et al., 1989, p. 1175).

Para que esta última afirmativa seja verdadeira, os pesquisadores quais respondentes selecionar para a averiguação pós-questionário a fim de alcançar "muitos homossexuais" que haviam participado de orgias ou sexo em banheiros (havia um número muito pequeno de tais indivíduos para que pudessem simplesmente ter sido detectados através de uma entrevista posterior aleatória).

Como as respostas supostamente anônimas do questionário (por exemplo auto-relatos sobre orientação sexual e atividades sexuais) foram ligadas a respondentes específicos não foi relatado. Aparentemente, no entanto, o anonimato dos respondentes não era absoluto, um fator que provavelmente desencorajou alguns respondentes de divulgar informações íntima sobre si mesmos.

Enquanto que muitos membros da amostra simplesmente se recusaram a participar, outros provavelmente completaram o questionário, mas forneceram respostas falsas, Haviam muitas razões para potenciais respondentes não levarem a pesquisa Caeron a sério. Ela foi apresentada por um estranho que simplesmente pareceu à porta, sem nenhuma afiliação a alguma universidade ou instituto de pesquisa de prestígio que pudesse inspirar confiança. Conforme observado anteriormente, o questionário era excessivamente extenso e continha muitas perguntas sobre assuntos altamente pessoais. Em uma cidade, o jornal local citou um policial que aconselhou um vizinho a não participar, descrevendo a pesquisa como "meio obsceno" (Omaha World Herald, May 23, 1983, p. 1)

Dadas as muitas razões para não levar a pesuisa a sério, pelo menos algumas pesoas provavelmente decidiram se divertir às custas dos pesquisadores.

Suponhamos que alguém propositadamente desse respostas falsas com a intenção maldosa de retratar a si mesmo como um indivíduo que rotineiramente se envolve no que poderia ser considerado comportamento sexual escandaloso. Ele provavelmente teria exagerado o seu nível geral de atividade sexual, relatado participação frequente em múltiplos atos sexuais inconvencionais, e fornecido um histórico seual incomum (p.ex. incesto com vários membros da família).

Se apenas 3 pessoas em cada cidade falsificou as suas respostas dessa forma, então uma parte significativa do número total de relatos desse tipo seria inválida.

A pesquisa do grupo Cameron é altamente vulnerável à falsificação por um pequeno número de pessoas maldosas por três motivos importantes.

1 - Eles basearam muitas de suas conclusões em um subconjunto extremamente pequeno de sua amostra - como as 17 pessoas que disseram que tinham pai/mãe homossexual. Se apenas alguns desses respondentes estivessem mentindo ou falsificando suas respostas, alteraria dramaticamente as descobertas.

2 - O impacto de pessoas maldosas é maximizada em amostras com baixo índice de respostas, como esse do grupo Cameron. Tais amostras tendem a excluir respondentes que dariam respostas honestas e imparciais que contrabalançariam a influência de indivíduos que propositadamente fornecessem informação falsa.

3 - Porque careciam de verificação sistemática da validade das respostas ao seu questionário, e porque os entrevistadores não observavam diretamente os respodentes enquanto preenchiam o questionário, o grupo Cameron não pode determinar quantos dos respondentes deram respostas falsas.

Resumindo, a extensão, formato e conteúdo do questionário - assim como a forma pela qual foi administrada e a aparente falha dos pesquisadores em criar um contexto de credibilidade para extrair informação altamente delicada - levanta sérias dúvidas sobre a sua validade. Nenhuma dessas dúvidas foi abordada nos artigos publicados pelo grupo Cameron.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

3 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 2]

Erro #3 As conclusões foram baseadas em dados de sub-amostras que eram pequenas demais para permitir qualquer análise confiável.

Se a amostra de 1983-84 do grupo Cameron tivesse sido uma amostra aleatória nacional (o que não era, conforme explicado no Erro #2) seu tamanho (N= 5.182 pessoas) teria sido grande o suficiente para permitir estimativas de características populacionais com apenas uma pequena margem de erro. Como o seu índice extremamente baixo de respostas descartou a possibilidade de fazer estimativas populacionais com base em seus dados, no entanto, esse ponto é discutível.

Entretanto, mesmo que outros problemas de amostragem não estivessem presentes, o grupo Cameron não poderia fazer estimativas confiáveis sobre subgrupos pequenos em sua amostra, como tentaram fazer em vários artigos.

Por exemplo, em um de seus artigos de 1996, Cameron & Cameron indentificaram 17 respondentes das amostras combinadas de 1983-84 que alegaram ter pai ou mãe homossexual. As respostas dos questionários dessas 17 pessoas foram examinadas à procura de diversas experiências negativas, tais como relatos de relações incestuosas com pai/mãe (5 relataram tal experiência de incesto). A partir dessa informação, Cameron & Cameron concluíram que 29% (5/17) dos filhos com pai/mãe homossexual tem relações incestuosas com ele/ela, comparado a 0,6% dos filhos de heterossexuais, e que "ter pai/mão homossexual aumenta o risco de incesto com ele/ela em 50 vezes."

Mesmo que as descobertas dessa amostra pudessem ser generalizadas (o que, conforme já demonstrado, não é o caso) e se todos os seus respondentes tivessem dado respostas verdadeiras e exatas (uma conjectura que é questionada mais adiante), tirar tais conclusões de uma sub-amostra de 17 pessoas é inválido. Isso acontece porque os dados de uma amostra tão minúscula tem uma margem de erro de amostragem inaceitavelmente grande.

Em uma amostra aleatória simples de 17, a margem de erro devido à amostragem (com um nível de confiabilidade de 99%) seria de 33 pontos percentuais para mais ou para menos. (Como o grupo Cameron usou uma amostra de grupo, em vez de uma amostra aleatória simples, a margem de erro teria sido ainda maior.)

Asim, mesmo que os números tivessem vindo de uma amostra representativa, a única conclusão válida que o grupo Cameron poderia ter tirado é que a real proporção de adultos que relatam ter pai/mãe homossexual e ter sido vítima de incesto está em algum ponto entre -4% (efetivamente, zero) e +62%. Essa é uma margem de erro tão ampla que se torna sem sentido. Além disso, porque o intervalo de confiabilidade inclui zero, o grupo Cameron não pode ligitimamente concluir que o verdadeiro número de filhos de pai/mãe homossexual (nos 8 municípios da amostra) que foram vítimas de incesto fosse realmente diferente de zero.

Novamente, os números do grupo Cameron são sem sentido porque a amostra não pode ser considerada representativa de nenhuma grupo maior. Mas mesmo que tivesse sido representativa, suas conclusões a partir de subgrupos extremamente pequenos não seriam válidas.

2 - Uma crítica aos estudos de Paul Cameron [Parte 1]

The Cameron Group's Survey Studies:
A Methodological Critique
http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron_survey.html

A maioria das publicações do grupo acadêmico de Cameron nos últimos 15 anos foram baseadas em um estudo feito em 1983 e 1984.

A enquete principal foi concluída em sete cidades americanas em 1983. Mais tarde foram adicionadas informações de uma amostra feita em 1984 em Dallas, Texas. A maioria dos artigos do grupo de Cameron relatam os dados dessas amostras combinadas.

Uma avaliação crítica das técnicas de amostragem, metodologia de pesquisa e interpretação dos resultados do grupo Cameron, revela pelo menos seis erros graves em seu estudo. A presença de uma só dessas falhas seria o suficiente para lançar sérias dúvidas sobre a legitimidade dos resultados de qualquer estudo. Combinadas, elas tornam os dados praticamente nulos.

Nota: A seguinte crítica usa termos técnicos em vários lugares. Leitores que não estão familiarizados ccm pesquisas podem querer ler brief introduction to sampling terminology [em inglês] antes de seguir adiante.


Erro #1 [Amostragem descaracterizada] Apesar de a caracterizarem assim, a amostra não foi de abrangência nacional.

Apesar do grupo Cameron ter alegado que a sua amostragem era "nacional" e terem usado repetidamente os seus dados para fazer generalizações sobre a população como um todo, o quadro incial de amostragem consistiu de apenas 7 municípios:Bennett (NE), Denver (CO), Los Angeles (CA), Louisville (KY), Omaha (NE), Rochester (NY), and Washington (DC). Dados de uma oitava cidade (Dallas, TX) foram adicionados depois.

Por usarem amostragens apenas desse pequeno conjunto de cidades, eles sistematicamente excluíram todos os adultos americanos residentes em outros lugares quando o estudo foi conduzido. Mesmo que o estudo fosse válido sob outros pontos de vista, generalizações válidas sobre a população de todos os Estados Unidos não poderiam ser tiradas dessa amostra. No máximo as descobertas poderiam ser generalizadas apenas às populações desses 8 municípios.

Erro #2 A taxa de respostas foi inaceitavelmente baixa

Apesar de não ser representativa do total da população estadunidense, uma descrição correta das atitudes e comportamentos sexuais em 8 municípios no início dos anos 80 poderia ter sido útil por si mesma. No entanto, os resultados do grupo Cameron não podem ser considerados representativos nem mesmo de municípios específicos porque a vasta maioria de sua amostragem não completou a enquete.

Os artigos publicados pelo grupo Cameron nunca relataram o seu índice de respostas - ou seja, a proporção da amostragem total que completou o questionário. Em vez disso, eles relataram um índice de tendências, que aparentemente era a porcentagem de questionários completos obtidos daqueles que foram contatados com sucesso e que receberam um formulário da enquete. Eles relataram índices de tendências de 43,5% (que mais tarde corrigiram para 47,5%) para a sua amostra inicial de 7 municípios, e 57,7% para a amostra de Dallas.

(Apesar desses números não serem representativos do real índice de respostas, eles indicam que a maioria das pessoas contatadas nos oito municípios nunca completaram o qusetionário. Aqueles que se recusaram diferiam daqueles que completaram o questionário de forma significativa. Eles tendiam a ser mais velhos e do sexo masculino enquanto que as pessoas que devolveram o questionário respondido eram desproporcionalmente jovens, com boa formação acadêmica e brancos.)

Usar o índice de tendências é enganoso, no entanto, porque ele exclui um grande número de domicílios da amostra original que nunca foram contatados com sucesso - os "não-em-casa". A fim de avaliar quão representativa uma amostra é, os pesquisadores comparam as entrevistas completadas com a amostra inteira, que inlcui todos os domicílios previstos na pesquisa.

Usnado os números do próprio grupo Cameron, o índice de respostas para os 7 municípios originais pode ser computado como o número de enquetes completadas (4.340) dividido pelo número total de domicílios válidos incicialmente selecionados para a amostra-alvo (18.418 - que é a soma do número relatado de pessoas contatadas, incluindo as recusas [9.129], mais os relatados como não estando em casa [9.289]).

Isso produz um índice de respostas de 4.380/18.418 = 23,6% para os 7 municípios pesquisados. Baseado nos seus dados relatados, o índice de respostas para a enquete de Dallas parece ter sido 20,7%. Combinando os dados de Dallas com os dados da pesquisa de 1983, resulta em um índice de respostas geral de 23% nos 8 municípios.

Assim, enquetes completas foram obtidas com sucesso de menos de um quarto dos domicílios da amostra. Os residentes de três de cada quatro domicílios que deviam estar no estudo nunca participaram. Eles ou se recusaram, ou aceitaram um formulário mas nunca o devolveram, ou nunca foram contatados.

Apesar dos pesquisadores não terem um padrão absoluto para o que constitui um índice de respostas aceitável, um índice de 23% é claramente inadequado. Assim, a amostra não pode ser considerada "aleatória". Pelo contrário, os esforços do grupo Cameron acabaram por resultar no que essencialmente era uma amostra de conveniência. Consquentemente, suas conclusões não podem ser genralizadas para nenhum grupo maior. Até que ponto elas descrevem a população total dos EUA - ou mesmo as populações dos oit municípios da amostra - não há como saber.

Em um artigo de 1988, Cameron e Cameron tentaram salvar os seus dados e defender a sua prática de generalizar a partir de uma amostra que, admitodo por eles mesmos, eles haviam incorretamente caracterizado como nacional e aleatório, alegando que eles observaram "concordância geral razoável" entre os dados e padrôes de respostas relatados por outros estudos a algumas de suas perguntas. No entanto, a adequação de uma amostra é julgada primeiro pelo método pelo qual os respondentes foram incluídas nela. Alguns padrôes de respostas nos dados de uma amostra mal feita podem se assemelhar àqueles observados em estudos bem esquematizados com amostras de probabilidade. Essa semelhança, entretanto, não torna uma amostra ruim representativa.

1 - Blood Libel ["Libelo de Sangue"]

http://positiveliberty.com/2004/04/blood-libel.html
Jason Kuznicki on Apr 16th 2004 09:46 pm

[A primeira parte do artigo:]

Conservadores: Quantas vezes vocês já viram as seguintes estatísticas?

Metade de todos os assassinos sexuais são homossexuais.
Homossexuais cometeram 7 dos 10 piores casos de assassinato.
Homossexuais são responsáveis por 33% a 50% de todos os abusos infantis.
Professores homossexuais cometeram entre 25% a 80% de todos os abusos de alunos.
Gays são pelo menos 12 vezes mais inclinados a molestar crianças do que heterossexuais.
Professores homossexuais tem uma tendência 7 vezes maior de molestar um aluno.
A expectativa média de vida de um homossexual é de 39 anos; menos de 2% sobrevivem até a idade de 65 anos.
Homens gays estão
- quatorze vezes mais sujeitos a ter tido sífilis
- três vezes mais sujeitos a ter tido gonorréia
- três vezes mais sujeitos a ter tido herpes genital
- oito vezes mais sujeitos a ter tido hepatite
- três vezes mais sujeitos a ter tido piolhos
- cinco vezes mais sujeitos a ter tido sarna
- mais de 5.000 vezes mais sujeitos a ter tido AIDS.

Lésbicas estão
- dezenove vezes mais sujeitas a ter tido sífilis
- duas vezes mais sujeitas a ter tido herpes genital
- quatro vezes mais sujeitas a ter tido sarna.



Talvez você esteja até inclinado a ser tolerante com homossexuais, mas então você vê números como estes e começa a se preocupar. Talvez homossexuais sejam realmente uma ameaça, e com esses números, quem é que gostaria de se arriscar?

Pode surpreendê-lo se souber que um único indivíduo foi a fonte de todas essas estatísticas. Também pode surpreendê-lo se souber que ele tirou todas elas de um único estudo, extremamente falho, que ele conduziu [mais de] 20 anos atrás.

Depois ele reuniu o resto de sua triste ladainha compilando um conjunto de meta-estudos em retrospectiva. Ele abertamente admitiu que aumentou as probabilidades escolhendo somente os estudos que favoreciam as suas noções pré-concebidas. Por exemplo, para encontrar informações sobre índices de mortes entre gays, ele olhou obituários de jornais, que muitas vezes focam em pessoas que morreram repentinamente ainda jovens. Ele comparou esses números dos obituários com a expectativa geral de vida da população em geral, um método que claramente vai dar péssimos resultados. Não é nenhuma surpresa que ele tenha "descoberto" que tanto gays quanto lésbicas estão muito mais sujeitos a morrer por acidentes de carro, assassinato ou acidentes - exatamente os tipos de incidentes chocantes que é mais provável que apareçam nos noticiários.

Para conseguir estatísticas sobre DSTs em gays e lésbicas, ele usou estudos que os recrutava de clínicas de DSTs. Não é surpresa que a maioria estivesse infectada. Ele então comparou esses números a uma amostra de pessoas heterossexuais que haviam sido testado ao acaso. Para abuso infantil e assassinato, ele novamente selecionou estudos que favoreciam as suas conclusões preferidas, descartando as que não o faziam - uma tática que ele francamente admitiu que usava.

Por vezes esse único homem apenas especulou sobre a orientação sexual de criminosos, e às vezes essas especulações estavam totalmente erradas. Ainda assim, elas entraram para a sua "pesquisa". Invariavelmente ele julgava todos os abusos sexuais entre pessoas do mesmo sexo como tendo sido cometidos por homossexuais, mesmo quando o molestador apresentava um comportamente inteiramente heterossexual sob todos os outros aspectos.

Espero que admita que estes são todos métodos tendenciosos. A Associação Americana de Psicologia pensou assim, então o excluíram por conduta antiética.

O nome desse homem é Paul Cameron e sua história já devia estar ultrapassada, porque o seu único trabalho original vem de 1983. Desde então foi detalhadamente refutado, várias e várias vezes. As melhores críticas você encontra no seguinte artigo:
http://psychology.ucdavis.edu/rainbow/html/facts_cameron_survey.html

Se você não está familiarizado com Paul Cameron, é melhor parar de ler esse artigo neste momento. Em vez disso, siga o link e só volte quando tiver terminado.

[Vou traduzir o artigo em questão nas próximas postagens, e só depois vou postar o resto da tradução do presente artigo]